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Do passado ao futuro

Comemoram-se neste ano de 2026 sessenta anos da presença do Movimento dos Focolares em Portugal. Neste e nos próximos números da revista, assinalaremos esta efeméride sob diferentes perspetivas. Um olhar sobre estes sessenta anos e sobre o futuro dessa presença pode suscitar várias reflexões.

Penso que é difícil calcular o alcance da presença do Movimento nestes sessenta anos. Já várias vezes fui surpreendido por pessoas que, de muitas formas, tiveram contacto com o ideal evangélico da unidade de que Chiara Lubich foi instrumento. Desse contacto colheram preciosas ajudas para as suas vidas, ainda que não tenham mantido depois alguma ligação ao Movimento dos Focolares. Por vezes, foram contactos durante a infância e juventude e essas pessoas são hoje adultas ou de idade avançada, com histórias de vida muito diversificadas. Nunca saberemos em toda a sua plenitude os frutos produzidos por uma semente lançada através desta que consideramos ser uma Obra de Deus. É assim com todas as Obras de Deus

Recordo-me da comemoração dos cinquenta anos da presença do Movimento dos Focolares em Portugal, a que também se associou a nossa revista. Na altura tínhamos entre nós muitos protagonistas dos primeiros tempos dessa história (que nesses primeiros tempos nunca imaginariam o que viria a suceder nas décadas seguintes). Hoje são já poucos esses protagonistas, porque muitos outros terminaram a sua vida terrena. Mas o que me vem à mente ao pensar nisso é que, para além do número de pessoas a que chegou o ideal de Chiara Lubich, será o testemunho de vida dessas pessoas que chegaram à “meta” o mais belo fruto destes sessenta anos. Vidas de pessoas comuns, que de muitas outras não se distinguiriam, tornam-se luz, exemplo e força para nós que ainda lá não chegámos. Não por acaso, falámos de duas delas no último número da revista.

Ao comemorar agora estes sessenta anos, o nosso objetivo não é o de recordar com nostalgia o passado, ou tempos de maior difusão do Movimento entre nós. Sim, damos valor à preciosa herança que recebemos. Mas também não ignoramos erros e desvios, limites humanos que estragaram a pureza dos desígnios de Deus. Também isso vem sucedendo em toda a história da Igreja. 

Temos a plena convicção de que, se Deus operou através deste Movimento, e apesar de muitos limites humanos, incontáveis frutos no passado, não deixará de o fazer no futuro, talvez de outros modos que não imaginamos hoje e que nos poderão surpreender. Também isso vem sucedendo ao longo da história da Igreja com muitos Carismas e Obras, alguns desde há séculos. É, por isso, a perspetiva de quem olha para o futuro que guiará esta comemoração e os textos que publicaremos ao longo deste ano. Queremos refletir sobre o que ainda podemos dar hoje, ou poderemos dar no futuro, à Igreja e à sociedade no nosso país.

> Artigo publicado no editorial da Revista Cidade Nova  de março de 2026