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Jubileu da Esperança

A esperança é a mensagem central do Jubileu que, segundo uma antiga tradição, o Papa proclama de vinte e cinco em vinte e cinco anos e que se celebra, pois, neste ano que agora se inicia. «Que o Jubileu seja, para todos, ocasião de reanimar a esperança!» – afirma o Papa Francisco no documento (“bula”) que proclama o Jubileu (acessível em www.vatican.va).

Muitos serão os motivos que podem levar hoje muitas pessoas a encarar o presente e o futuro sem uma verdadeira esperança, ou mesmo com desespero. Um deles são as guerras antigas e novas, que parecem indicar o regresso a um passado de conflitos internacionais que pensávamos definitivamente superado. As alterações climáticas fazem temer pelo futuro do nosso planeta, o que significa: pelo futuro das gerações que nos sucederão. As desigualdades de oportunidades entre povos de várias zonas do globo persistem, como persistem a fome e muitas doenças que poderiam ser evitadas. Os medos e incertezas do futuro contribuem para quedas da natalidade em países ricos e pobres, como nunca sucedeu noutras épocas da história.

No referido documento, o Papa expõe aquelas que são, para os cristãos, as “razões da nossa esperança”. A primeira delas é a fé no amor de Deus, que não vacila mesmo diante das maiores dificuldades. Cita, a propósito, as palavras de São Paulo na Carta aos Romanos (8, 35.37-39): «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores graças Àquele que nos amou». 

Outra dessas razões é a fé na vida eterna. A vida, o sofrimento e a morte têm um sentido; a história da humanidade e de cada um de nós não correm para uma meta sem saída, nem para um abismo, mas para o encontro pleno e definitivo com Deus, o Senhor da glória.

Nesse documento que proclama o Ano Jubilar, o Papa Francisco faz apelos a que nele se vislumbrem sinais de esperança para pessoas e povos. O primeiro é o da paz para o mundo; por isso recorda a bem-aventurança dos construtores de paz. Realça, por outro lado, que olhar para o futuro com esperança equivale a ter uma visão da vida carregada de entusiasmo para a transmitir. Afirma que neste ano cada um de nós é chamado a ser sinal palpável de esperança para muitas pessoas que vivem em condições de dificuldade: os presos, os doentes, os idosos, os jovens que veem desmoronados os seus sonhos, os migrantes e os pobres.

Neste número da nossa revista damos destaque ao sexagésimo aniversário da primeira cidadela do Movimento dos Focolares, Loppiano, a que se seguiram outras por todo o mundo, nelas se incluindo a portuguesa, na Abrigada. Desde o seu início, há sessenta anos, Loppiano quis mostrar ao mundo que era possível uma convivência baseada no amor recíproco e na fraternidade universal, entre pessoas de diferentes vocações, nacionalidades e culturas. Quis mostrar que o Evangelho não diz respeito apenas à vida interior de cada pessoa, mas renova todos os relacionamentos sociais, a economia e o trabalho, o estudo e a cultura, a arte e o desporto. Na modéstia de quem tem consciência de limites e fracassos, aspira a ser aquela “cidade sobre o monte” de que fala Jesus no Evangelho (Mt 5, 14). A sua missão continua. Pode ser também ela um sinal de esperança neste Ano Jubilar.

> Artigo publicado no editorial da Revista Cidade Nova  de janeiro de 2025