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O novo nome da Paz

«O desenvolvimento é o novo nome da paz» – pode dizer-se que esta frase condensa a mensagem central da encíclica de São Paulo VI sobre o progresso dos povos (Populorum progressio), publicada no já algo longínquo ano de 1967. Mas essa mensagem parece ser cada vez mais atual, sobretudo quando assistimos a uma quase banalização da guerra e ao predomínio da ideia de que a ela nos temos de resignar e habituar.

Com frequência se invoca o combate ao terrorismo como justificação de muitas dessas guerras a que hoje assistimos. Decapitar esses grupos terroristas através da morte dos seus dirigentes é um objetivo a perseguir e apresentado como notável sucesso. Mas a esses dirigentes mortos quase sempre se substituem outros, que passam a ser novos alvos a abater. E se a ameaça é vencida num local (no Médio Oriente ou em África), ela pode sempre ressurgir em qualquer outro local da mesma região, ou até em qualquer outro local do mundo. Assim será até que tais grupos deixem de atrair aderentes, até que sejam enfrentadas as causas que levam a essa adesão. 

É certo que a pobreza e a injustiça nunca podem justificar o terrorismo. E também é certo que diante desses males, há muitas pessoas que fazem outras opções, de combate pacífico. Esquecer isso teria até efeitos perversos, seria gravemente ofensivo para com os pobres, encarados sempre como potenciais terroristas. Na opção pelo terrorismo influem certamente fatores ideológicos. Mas também é certo que o desespero de jovens e adultos a quem resta apenas um horizonte futuro de miséria e marginalização não pode deixar de facilitar, em grande medida, a adesão a tais grupos. Por vezes, são esses grupos que garantem até o sustento desses seus aderentes.

Tudo isto nos permite concluir que a mais eficaz forma de erradicar o terrorismo, como muitas outros conflitos, passa pelo desenvolvimento dos povos, mais do que meios bélicos, por mais tecnologicamente avançados que sejam (como vemos nas notícias que por estes dias invariavelmente se repetem). O desenvolvimento é, na verdade, o novo nome da paz. 

Nessa encíclica sobre o progresso dos povos (Populorum progressio) também é dado grande relevo à definição de “desenvolvimento”, que não se confunde com o mero crescimento económico. Também permanece como ideia marcante dessa encíclica a ideia de «desenvolvimento do homem todo e de todos os homens», isto é, que o desenvolvimento não pode ser desligado da justiça social, por um lado, e, por outro lado, que ele comporta, para além da dimensão económica, as dimensões social (os bens relacionais), a dimensão cultural e a dimensão espiritual (porque «nem só de pão vive o homem»). É assim que deve ser concebido o «desenvolvimento humano integral».            

A esta luz, é de todo incompreensível que se perspetivem, em muitos países, grandes aumentos de despesas militares ao mesmo tempo que diminuem as despesas de apoio ao desenvolvimento.

> Artigo publicado no editorial da Revista Cidade Nova  de junho de 2026