Os jovens e a santidade
- Pedro Vaz Patto
- 10 Dezembro, 2018
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- Opinião
Escrevo pouco tempo depois do fim dos trabalhos da assembleia do sínodo dos bispos, dedicada aos jovens e ao discernimento vocacional.
Já alguém caracterizou a atual geração juvenil como “a primeira geração incrédula”. Nem todos, porém, aceitam essa caracterização, desde logo porque a realidade juvenil apresenta hoje múltiplas facetas em contextos muito variados. Mas há, de qualquer modo, em especial na Europa, um notório afastamento dos jovens em relação à religião em geral. Por outro lado, a chamada “cultura do provisório” influencia de modo particular os jovens de hoje, que têm dificuldade em assumir escolhas definitivas, como a do casamento.
Como reflexo dessas duas realidades, as vocações de especial consagração escasseiam, quase como nunca sucedeu, também em especial na Europa.
Neste contexto, há quem alerte para a tentação de atenuar ou diluir as exigências espirituais e morais da fé cristã para, assim, mais facilmente atrair os jovens, que, de outro modo, se afastariam da Igreja.
A recente divulgação de um maior número de casos de abusos sexuais de jovens, praticados por sacerdotes, fere gravemente a credibilidade das propostas existenciais e morais vindas de membros da Igreja.
O documento final da assembleia do sínodo dos bispos, entre muitos outros aspetos, sublinha a importância de escutar e acompanhar os jovens. A escuta como um « encontro de liberdade, que exige humildade, paciência, disponibilidade para compreender, empenho em elaborar de um modo novo as respostas ». A escuta que não se compadece com « respostas pré-confecionadas e receitas prontas » que não deixam emergir as perguntas na sua novidade e provocação.
A Igreja deve fazer um caminho com os jovens, que são protagonistas e não destinatários das suas ações (ações empreendidas com eles, e não para eles). Eles não são apenas o futuro, são também o presente.
Na transmissão da doutrina, deve ser usada uma palavra « clara, humana e empática ».
E « todos os jovens, sem excluir nenhum, estão no coração de Deus e, portanto, no coração da Igreja ». Uma realidade que — reconhece o documento — nem sempre encontra expressão na ação pastoral, mais virada para dentro do que para fora da Igreja. De um tão extenso e abrangente documento, parece-me que o que mais merece destaque é o apelo final. Um apelo que afasta qualquer tentação de baixar o grau de exigência das propostas que são apresentadas aos jovens, com a ilusão de assim mais facilmente os cativar. É um apelo à santidade, a vocação universal que abarca todas as vocações particulares e que representa « a realização daquele apelo à alegria do amor que ressoa no coração de cada jovem ». « Os jovens pediram em alta voz uma Igreja autêntica, luminosa, transparente, alegre e só uma Igreja de santos pode estar à altura de tais pedidos! ». Muitos afastaram-se da Igreja porque não encontraram este seu rosto mais belo. A linguagem da santidade é a que « todos os homens e mulheres de todos os tempos, lugares e culturas podem compreender, porque é imediata e luminosa ». Através da santidade dos jovens, a Igreja pode « renovar o seu ardor espiritual e o seu vigor apostólico » e « curar as suas feridas ».
> Artigo publicado na Revista Cidade Nova de dezembro de 2018
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